
A minha, a sua, a nossa cidade
Prevista desde 2014 para acontecer em 2021, a revisão do Plano Diretor Estratégico de São Paulo se deparou com a polêmica de ser realizada em um momento crítico gerado pela pandemia, de forma online.
Jornalista e escritora, Petria Chaves é âncora da Rádio CBN há 20 anos e autora dos livros Escute teu silêncio e Como sei o que sei, nos quais embarca em uma jornada para desvendar os mistérios da intuição e seu poder transformador em um mundo cada vez mais acelerado e artificial.
A inteligência intuitiva sempre foi uma ferramenta central na minha vida e no meu trabalho. Eu achava que isso era comum a todos, até perceber que não. Entendi, então, que precisava ser explicada. Fui buscar não só minha percepção e vivência, mas também a ciência, para dar um contorno concreto ao que chamo de inteligência intuitiva — que nos conecta com respostas de fora e também de dentro de nós mesmos.
Que a inteligência intuitiva é muito clara nos povos originários, e que o psiquiatra Carl Jung apenas decodificou, em uma linguagem científica, o que esses povos já sabiam e vivenciavam com maestria quando definiu a intuição como um dos tipos psicológicos.
Ao deixarmos de valorizar o saber ancestral, o saber do feminino simbólico, acabamos abafando a intuição. Foi surpreendente descobrir o projeto político colonial patriarcal que, em meados do século XVIII, contribuiu para esse apagamento. Resgatar isso é essencial para fazer as pazes com a inteligência intuitiva. O mais incrível é perceber que aquilo que eu já sentia no corpo encontra respaldo na ciência e na história.
Quando vou para o livro e para meus entrevistados, confirmo que a minha intuição estava certa.
Com certeza! Tudo o que tem o prefixo auto — autoconhecimento, auto-observação, autoaprimoramento, autocuidado — se conecta à inteligência intuitiva. É uma inteligência nossa, pessoal, mas que também carrega saberes ancestrais de autopreservação e evolução. A inteligência intuitiva é uma ferramenta fundamental no que eu chamo de engenharia interior, para conhecer como funcionamos por dentro.
Claro, porque a intuição é a voz da sabedoria que fala conosco por meio do silêncio. Segundo o pensador indígena Kaká Werá, para alguns povos indígenas como os tupi-guarani, a intuição é uma forma de comunicação com o espírito feminino da natureza e com o espírito masculino do cosmos.
Ouvir a intuição é um treino, um processo contínuo: quanto mais a exercitamos, mais nos tornamos capazes de ouvir a consciência. Em um mundo saturado de informação e tecnologia, a intuição nos ajuda a discernir o que importa. Nossa inteligência ancestral é um antídoto para tanta mentira e tantos simulacros.
“A INTUIÇÃO NOS CONECTA À CONSCIÊNCIA E AO QUE TRANSCENDE A MATÉRIA. É UM CANAL COM A ALMA E COM DIMENSÕES QUE A CIÊNCIA MATERIAL AINDA NÃO EXPLICA COMPLETAMENTE.”
Petria Chaves
A intuição nos conecta à consciência e ao que transcende a matéria. É um canal com a alma e com dimensões que a ciência material ainda não explica completamente. Nesse sentido, ela é a ligação com a espiritualidade.
A neurociência reconhece a existência da intuição, mas ainda não define exatamente onde ela se processa. Para Descartes, estaria ligada à glândula pineal, e muitos neurocientistas, como o doutor Sérgio Felipe de Oliveira, estudam essa estrutura — mas não há comprovação científica definitiva.
O que se observa é que existem diferentes formas de ser e estar no mundo: pensamento, sentimento, sensação e intuição. Todos nós temos um pouco de cada uma dessas formas, ainda que com predominâncias distintas.
Diversas áreas da ciência seguem investigando a intuição, inclusive sua relação com a mediunidade. É um campo fascinante e cada vez mais explorado pela ciência.

Prevista desde 2014 para acontecer em 2021, a revisão do Plano Diretor Estratégico de São Paulo se deparou com a polêmica de ser realizada em um momento crítico gerado pela pandemia, de forma online.

Diante da correnteza de transformações que ocorreram do início do século 20 até os dias de hoje, homens e mulheres se percebem angustiados com as diferentes formas de relações, casamentos e famílias que já não são estruturas pré-moldadas.

Enquanto rasgava o papel de seda amarelado e seco que envolvia cuidadosamente seu livro Sertões, luz e trevas, na edição alemã, que recebi, pensava nas marcas
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