
Editorial aQuadra edição 22
Nos dias lindos de outono, em que o céu fica mais azul e o sol esquenta enquanto um ventinho gelado insiste em soprar, uma luz especial parece iluminar nosso coração, trazendo a sensação de aconchego.
Filósofo pela USP e doutor em psicologia junguiana pelo Jung Institut de Zurique, na Suíça, com mais de 30 anos de experiência clínica, Victor Stirnimann especializou-se na fronteira entre a psicologia, a espiritualidade e a filosofia. É professor convidado do Instituto Singularidades, criador do podcast Elefantes na Neblina e fundador da Casa Ō, consultoria criativa que promove experiências imersivas voltadas às transformações de hábitos e padrões mentais.
Vivemos um momento de excesso de informação e escassez de sentido?
Sem dúvida. O sentido exige tempo, reflexão, contexto. A enxurrada de informação impede as pessoas de se aprofundarem. Tudo passa rápido demais. Quanto mais velocidade, menos tempo para cultivar sentido.
Por que temas junguianos, como persona, sombra e inconsciente coletivo parecem tão atuais?
Os conceitos de Jung nasceram para mapear o imaginário humano, reconhecendo os padrões que se repetem em histórias, em mitos e na própria subjetividade das pessoas. O mundo digital funciona com base nesses padrões, sobretudo no labirinto das redes sociais. De certo modo, a internet é o próprio inconsciente coletivo, tornado visível e acessível para todos.
Essa busca crescente por espiritualidade revela uma transformação genuína da consciência ou também um mercado do bem-estar emocional?
Não acho que essas duas dimensões, a transformação da consciência e a busca do bem-estar, sejam tão excludentes. As pessoas têm várias facetas, às vezes até contraditórias. A busca de conforto emocional é legítima — o problema é quando a espiritualidade se torna apenas utilitária. Espiritualidade é sobre você se alinhar ao que o cosmos espera de você. Não é sobre fazer o cosmos se alinhar ao que você espera dele.
Em que momento concluiu que filosofia, psicologia e espiritualidade não poderiam mais ser pensadas separadamente?
O que me fez buscar essa conexão foi perceber que as pessoas não têm como encontrar harmonia mais duradoura dentro de si sem enfrentar as questões maiores da vida: por que estamos aqui, como devemos viver, como lidar com a morte. No passado, as pessoas podiam deixar essas questões por conta da religião. Hoje, a religião continua sendo um caminho para muitos, mas precisa ser uma escolha consciente. Os tempos em que você nem sequer se perguntava sobre essas coisas já passaram.
A ideia de produtividade invadiu até o campo do autoconhecimento. Existe o risco de transformar a busca interior em mais uma performance?
Esse risco é muito real. Tudo aquilo em que investimos pelos resultados que queremos obter pode virar um caminho distorcido, uma competição, uma ambição deslocada. E, quando quase todo mundo flerta com o narcisismo, tudo aquilo que tem valor vira um alvo para a performance, um possível signo de que você é especial, muito diferenciado em relação aos outros.
O sucesso das redes sociais deriva da sensação de relevância que elas proporcionam às pessoas?
Eu diria o contrário: vem do medo que as pessoas têm de serem irrelevantes. As redes alimentam a falta que se propõem a preencher, por isso é tão fácil nos viciarmos nelas. Tudo aquilo que preenche e esvazia ao mesmo tempo é potencialmente viciante.
Depois de mais de 30 anos de clínica, o que mais mudou, a seu ver, nas angústias humanas?
As grandes questões me parecem as mesmas de sempre: felicidade, realização, reconhecimento, amor, como lidar com a vulnerabilidade e o apego. Mas surgiu uma nova angústia que ameaça se tornar maior do que todas as outras: para onde vai o mundo? Haverá um futuro para a humanidade? Ainda podemos construir uma vida com esperança de um cenário melhor?
Essas questões eram mais periféricas, décadas atrás. Agora, todos os jovens estão expostos a elas. Parece que, no mundo de hoje, o horizonte se estreitou tanto que quase ninguém faz planos. É por isso, também, que tanta energia se volta para dentro, para a busca interior. O ser humano precisa de espaço para crescer. Quando ele não está mais do lado de fora, é preciso procurar dentro. Dentro de nós, o espaço continua infinito.

Nos dias lindos de outono, em que o céu fica mais azul e o sol esquenta enquanto um ventinho gelado insiste em soprar, uma luz especial parece iluminar nosso coração, trazendo a sensação de aconchego.

Carolina Ferraz foi convidada para conhecer uma plantação de cannabis medicinal no Uruguai – a poucos quilômetros de Punta Del Este, para ser mais precisa. Não tinha a menor noção do que iria encontrar e muito menos sobre o processo de plantio da famosa plantinha.

Formado em Ciências Sociais pela PUC-SP, André Villas-Bôas fala para aQuadra sobre o patrimônio valioso que é a Amazônia.
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