A CIDADE DIVIDIDA
Palco de um festival que celebra a cultura brasileira, Parintins se veste de azul e vermelho
Uma ilha no coração da Amazônia, localizada no extremo leste do estado do Amazonas, quase na divisa com o Pará, Parintins pulsa cultura, natureza e uma rivalidade apaixonante que divide a população ao meio.
A tranquilidade desaparece nos dias que antecedem o Festival Folclórico de Parintins, realizado anualmente na última semana de junho. Tomada pelo azul e pelo vermelho – cores que dominam fachadas, roupas, embarcações e até os logotipos das empresas, adaptados para não desagradar a nenhuma das torcidas –, a cidade ganha um ritmo frenético. Os tuc-tucs, principal meio de transporte local, disputam espaço com milhares de visitantes, enquanto surgem estruturas temporárias para eventos, um festival gastronômico e grandes pavilhões dedicados ao artesanato e ao turismo.
Com tanta movimentação, é difícil explorar o Centro Histórico, onde construções dos séculos XIX e XX, como o Palácio Cordovil e o Mercado Municipal, preservam a memória da cidade.
Distante 370 quilômetros de Manaus, Parintins recebe visitantes por via aérea e fluvial. Muitos barcos levam dias para completar o trajeto, transformando a própria viagem em parte da experiência. Como a oferta de hospedagem é limitada durante o festival, uma das melhores alternativas é ficar em um dos barcos-hotéis ancorados na cidade.
O BOI É QUEM ESCOLHE VOCÊ
Um dos maiores espetáculos a céu aberto do mundo e reconhecido como patrimônio cultural do Brasil, o Festival Folclórico de Parintins atrai cerca de 120 mil turistas para a cidade de 100 mil habitantes!
A atração gira em torno dos bois Garantido e Caprichoso, que, durante três noites, disputam o título com apresentações de duas horas e meia repletas de música, dança, alegorias e personagens para contar histórias da Amazônia: lendas da floresta, rituais indígenas e tradições ribeirinhas. Enquanto um boi se apresenta na arena, a torcida adversária – conhecida como galera – deve permanecer em silêncio para que seu boi não perca pontos. Ao todo, são avaliados 21 itens, entre eles a própria galera, o apresentador, o pajé e a cunhã-poranga, personagem que, mais do que uma dançarina, representa a ancestralidade e a força da mulher indígena e nativa da Amazônia.
“O Festival de Parintins é a maior manifestação da cultura popular da Amazônia e está entre os melhores eventos do mundo. É uma festa democrática, que reúne desde moradores da região até turistas de alto poder aquisitivo e grandes empresas nacionais e multinacionais. Tornou-se o cartão de visitas do Amazonas e um evento ao qual todos deveriam assistir pelo menos uma vez na vida”, afirma Valdo Garcia, diretor-presidente da Amazon Best, coordenadora do festival.