
O Impresso volta à moda
O Impresso volta à moda.
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Poucos endereços em São Paulo conseguem atravessar três décadas mantendo o mesmo fôlego — e menos ainda preservar a sensação de que tudo continua acontecendo ali, noite após noite. Inaugurado em 1994, a uma quadra da Avenida Paulista, o Spot não apenas resistiu ao tempo como se tornou um dos mais duradouros templos da efervescência paulistana. Um restaurante que viu a cidade mudar, adensar, acelerar — e que, curiosamente, segue sendo um ponto de encontro democrático, vivo e absolutamente atual.
Quando abriu as portas, o entorno era outro: não havia os prédios altos nem a praça estruturada que hoje emoldura o restaurante de paredes de vidro. Ainda assim, o Spot nasceu badalado. Virou quase instantaneamente ponto de encontro de artistas do cinema, do teatro e da música, jornalistas, publicitários, fashionistas, empresários, turistas, jovens e não tão jovens. Gente de todo tipo. Essa mistura foi um dos pilares do sucesso, ao lado do atendimento charmoso, da atmosfera descontraída e de uma comida casual bem executada — daquelas que semeiam memórias afetivas.
O gerente Renê Ítalo, que começou como garçom da casa há 30 anos e se tornou um anfitrião impecável, é uma espécie de guardião invisível dessa memória coletiva. “Eu me sinto como o capitão de um barco. Cada noite é uma nova viagem. Tenho que receber todo mundo em segurança e entregar todos bem e felizes na saída”, define. Ao longo dos anos, ele viu famílias crescerem — avós que chegaram com filhos pequenos, que depois trouxeram netos, bisnetos, namoradas, pedidos de casamento. Casais que se formaram ali quase por acaso, mesas que se uniram, vidas que se cruzaram sem perceber que o restaurante era o fio invisível costurando tudo.
Renê, que também foi barman por dois anos, observa que a experiência começa, muitas vezes, antes mesmo de sentar à mesa — na espera animada na área externa ou no bar, com bons drinques e uma plateia que parece um recorte vivo da cidade. Ali, o bar é mais que um lugar de passagem: é onde o tempo desacelera, a espera fica agradável e histórias começam.
Essa relação próxima não se restringe aos clientes. Um dos segredos do Spot está na maneira como cuida de quem trabalha ali. O gerente Bruno Frascino entrou jovem, recém-formado em turismo, há 24 anos. Foi garçom e barman, e construiu praticamente toda a sua vida dentro do restaurante. “Aqui conheci a mãe da minha filha, minha esposa atual, fiz grandes amigos”, conta.
O cuidado com a equipe é estrutural: todos são registrados, têm benefícios, plano de saúde e alimentação bem-feita, e passam por um treinamento longo e consistente. “Para trabalhar com gente, você precisa gostar de gente”, afirma Bruno. “A hospitalidade não pode ser robotizada.” Não por acaso, muitos funcionários permanecem por décadas — e se tornam parte da identidade do lugar tanto quanto o cardápio ou o espaço físico.
Ao longo dos anos, o Spot também soube se adaptar sem perder sua essência. Mudou horários, antecipou a abertura, entendeu os novos hábitos do público no pós-pandemia. Incorporou definitivamente a área externa, antes um sonho distante e hoje um de seus grandes atrativos: mesas espalhadas pela praça, fonte iluminada, verde ao redor — um respiro urbano raro no coração da cidade. “Há noites em que o cliente é chamado para entrar e prefere ficar ali fora, onde tudo acontece”, conta Renê.
“Para mim, o restaurante é uma aula de hospitalidade, de acolhimento, pertencimento e comida boa — o penne oriental que você comeu há 25 anos é o mesmo de hoje. É um lugar que respira festa”, resume Bruno.
Mais que um restaurante, o Spot é um organismo vivo. Um lugar de encontro e permanência. Um endereço que respira hospitalidade, memória e cidade — e que, três décadas depois, segue sendo exatamente o que sempre foi: um lugar onde São Paulo se encontra.
Spot
Al. Ministro Rocha Azevedo, 72 – Bela Vista
@restaurantespot
@reneitaloalmeida
@brunofrascino

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