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ÁFRICA paulistana

A presença africana no Centro de São Paulo abriu espaço para novos sotaques e temperos

É cada vez mais comum ver o estilo colorido, com estampas vibrantes e padrões geométricos, que simboliza a identidade cultural africana, desfilar pelas ruas do Centro de São Paulo.

Nos últimos anos, a região passou a concentrar comunidades africanas que vêm transformando o cotidiano local por meio da comida, da moda, da religiosidade, da música e da ocupação diária de ruas e praças.

Na região da Praça da República, essa presença é especialmente visível. Lojas de roupas, tecidos, decoração, mercadinhos, cosméticos e acessórios dividem espaço com salões de beleza e restaurantes que servem pratos africanos diversos — e funcionam como ponto de encontro e rede de apoio.

África paulistana - Jornal aQuadra

Entre os estabelecimentos mais conhecidos está a Mãe África Cultura e Design, que há 30 anos conecta o Brasil às raízes da cultura africana, por meio de roupas tradicionais, tecidos, esculturas, bijuterias, objetos de decoração e livros. A loja nasceu da união da arquiteta brasileira Tania Salami com o nigeriano Sikiru King Salami, pesquisador da cultura iorubá, depois de percorrer a Nigéria por quase um mês.

“A Mãe África é uma importadora especialista em arte iorubá. Cerca de 90% dos nossos produtos vêm da Nigéria pela curadoria do King, que é iorubá”, conta Tania. A loja mudou-se do Brás para a República em 2004, quando existiam apenas duas outras lojas africanas na região, e recebe um público eclético, que vai de turistas a decoradores. Hoje, ela percebe uma grande comunidade do Senegal no Centro.

A recente imigração africana em São Paulo traz uma diversidade de culturas, profissões e histórias que se entrelaçam com a vida da metrópole. A maioria chega em busca de trabalho e de melhores oportunidades. Alguns visitam frequentemente a família no país de origem; outros ainda sonham em voltar definitivamente.

O senegalês Ndiaga Sow está em São Paulo há 12 anos e mantém duas bancas de artigos africanos no Centro. “Eu trabalhava com arte também no meu país. Toda a minha família faz esculturas de madeira”, conta. Seu irmão, professor de português, veio antes e o convidou a tentar a vida no Brasil, alegando que aqui as pessoas valorizam a arte. Bem adaptado ao ritmo da cidade e à comida, Ndiaga já tem cidadania brasileira. Ainda assim, viaja com frequência ao Senegal e imagina voltar um dia para viver perto da família.

Também do Senegal, Cheikh Gueye Seck chegou a São Paulo há dez anos. Depois de trabalhar muito, abriu a movimentada loja Coração D’África em 2016. “O Brasil parece com a África, principalmente na cultura. A gente se sente em casa”, diz. Ele e a esposa gostam da comida brasileira, mas costumam fazer receitas africanas em casa: “O tempero é diferente, né?”. Ele conta que encontra seus conterrâneos ocasionalmente em reuniões, festas e na igreja, aos domingos.

Mais do que comércio, forma-se ali um circuito cultural que mistura negócios, convivência e identidade. Eles mostram que a África em São Paulo não é apenas herança do passado — é uma presença contemporânea que continua transformando a cidade, como outras ondas migratórias já fizeram.

Roteiro África Paulistana

1. Mãe África Cultura e Design
Peças autênticas trazidas da Nigéria, esculturas feitas à mão, móveis, vestuário tradicional e livros.
Praça da República, 137
@maeafricaloja

2. Coração D’África
A loja do senegalês Cheikh Gueye Seck tem roupas e tecidos africanos, acessórios e peças decorativas.
Av. Ipiranga, 250
@coracaodaafrica

3. Casa dos Tecidos Africanos
Grande variedade de ankara — panos de algodão coloridos com estampas inspiradas no batique.
Av. São João, 610, loja L
@casadostecidosafro

4. Galeria do Reggae
O Centro Comercial Presidente ganhou esse apelido nos anos 1980 pelo movimento black. Hoje reúne lojas de perucas, salões especializados em cabelo afro, além de bares e tabacarias.
Rua 24 de Maio, 116
@galeriapresidentesp

5. Banca Ndiaga Sow
Tecidos, máscaras de madeira e bijuterias.
Rua Barão de Itapetininga com Avenida Ipiranga
@ndiagasow

6. Biyou’z
Desde 2017, celebra os sabores autênticos da África. O cardápio da chef camaronesa Melanito Biyouha traz pratos bem temperados, com receitas de Camarões, Senegal e outros países africanos.
Al. Barão de Limeira, 19
@biyouzgastronomiaafricana

7. Ritual religioso
Ao som de tambores, cantos e orações, acontece às segundas-feiras, das 19h às 22h, no Coreto da Praça da República.

8. Le Petit Village
Bar e restaurante camaronês, ponto de encontro dos migrantes africanos. O cardápio combina heranças tradicionais e técnicas modernas, com destaque para especiarias aromáticas e ingredientes frescos.
Av. Vieira de Carvalho, 192
@lepetitvillagesp

9. Mercy Green
Serve pratos autênticos e apimentados da culinária nigeriana. O almoço é bastante concorrido.
Av. Rio Branco, 495

10. Casa Adinkra
Espaço de aprendizado e conexão com a sabedoria ancestral africana. Promove cursos e materiais educativos, como as Cartas da Sabedoria Adinkra, inspiradas na cultura akan, de Gana.
@casaadinkra_

11. Guia Negro SP
Plataforma de afroturismo que organiza a Caminhada São Paulo Negra, partindo da Liberdade e seguindo até o Largo do Paissandu.
https://guianegro.com.brguianegro.com.br

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