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A VOZ INTERIOR

Entenda como a intuição e o autoconhecimento ajudam a lidar com a sobrecarga do mundo moderno e da tecnologia.

por Judite Scholz

Entrevista com Petria Chaves - Jornal aQuadra

Jornalista e escritora, Petria Chaves é âncora da Rádio CBN há 20 anos e autora dos livros Escute teu silêncio e Como sei o que sei, nos quais embarca em uma jornada para desvendar os mistérios da intuição e seu poder transformador em um mundo cada vez mais acelerado e artificial.

Como surgiu a ideia de pesquisar a intuição?

A inteligência intuitiva sempre foi uma ferramenta central na minha vida e no meu trabalho. Eu achava que isso era comum a todos, até perceber que não. Entendi, então, que precisava ser explicada. Fui buscar não só minha percepção e vivência, mas também a ciência, para dar um contorno concreto ao que chamo de inteligência intuitiva — que nos conecta com respostas de fora e também de dentro de nós mesmos.

O que mais a surpreendeu nessa jornada?

Que a inteligência intuitiva é muito clara nos povos originários, e que o psiquiatra Carl Jung apenas decodificou, em uma linguagem científica, o que esses povos já sabiam e vivenciavam com maestria quando definiu a intuição como um dos tipos psicológicos.

Ao deixarmos de valorizar o saber ancestral, o saber do feminino simbólico, acabamos abafando a intuição. Foi surpreendente descobrir o projeto político colonial patriarcal que, em meados do século XVIII, contribuiu para esse apagamento. Resgatar isso é essencial para fazer as pazes com a inteligência intuitiva. O mais incrível é perceber que aquilo que eu já sentia no corpo encontra respaldo na ciência e na história.

Quando vou para o livro e para meus entrevistados, confirmo que a minha intuição estava certa.

É também uma ferramenta de autoconhecimento?

Com certeza! Tudo o que tem o prefixo auto — autoconhecimento, auto-observação, autoaprimoramento, autocuidado — se conecta à inteligência intuitiva. É uma inteligência nossa, pessoal, mas que também carrega saberes ancestrais de autopreservação e evolução. A inteligência intuitiva é uma ferramenta fundamental no que eu chamo de engenharia interior, para conhecer como funcionamos por dentro.

Ouvir a intuição ajuda a agir com mais consciência em relação às redes sociais e à IA?

Claro, porque a intuição é a voz da sabedoria que fala conosco por meio do silêncio. Segundo o pensador indígena Kaká Werá, para alguns povos indígenas como os tupi-guarani, a intuição é uma forma de comunicação com o espírito feminino da natureza e com o espírito masculino do cosmos.

Ouvir a intuição é um treino, um processo contínuo: quanto mais a exercitamos, mais nos tornamos capazes de ouvir a consciência. Em um mundo saturado de informação e tecnologia, a intuição nos ajuda a discernir o que importa. Nossa inteligência ancestral é um antídoto para tanta mentira e tantos simulacros.

Entrevista com Petria Chaves - Jornal aQuadra

“A INTUIÇÃO NOS CONECTA À CONSCIÊNCIA E AO QUE TRANSCENDE A MATÉRIA. É UM CANAL COM A ALMA E COM DIMENSÕES QUE A CIÊNCIA MATERIAL AINDA NÃO EXPLICA COMPLETAMENTE.”

Petria Chaves

Qual é a relação da intuição com a espiritualidade?

A intuição nos conecta à consciência e ao que transcende a matéria. É um canal com a alma e com dimensões que a ciência material ainda não explica completamente. Nesse sentido, ela é a ligação com a espiritualidade.

Como ela é explicada pela neurociência?

A neurociência reconhece a existência da intuição, mas ainda não define exatamente onde ela se processa. Para Descartes, estaria ligada à glândula pineal, e muitos neurocientistas, como o doutor Sérgio Felipe de Oliveira, estudam essa estrutura — mas não há comprovação científica definitiva.

O que se observa é que existem diferentes formas de ser e estar no mundo: pensamento, sentimento, sensação e intuição. Todos nós temos um pouco de cada uma dessas formas, ainda que com predominâncias distintas.

Diversas áreas da ciência seguem investigando a intuição, inclusive sua relação com a mediunidade. É um campo fascinante e cada vez mais explorado pela ciência.

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