Sempre sonhei em dedicar uma edição inteira ao Centro de São Paulo – um território onde minha memória afetiva pulsa em cada esquina e que hoje floresce com uma energia renovada.
Desde menina, o Centro foi meu quintal de descobertas. Com minha avó materna, que morava no Largo do Arouche, íamos comprar flores e, depois, saborear doces na Dulca, confeitaria de uma italiana que também carregava a memória de sua terra. Brincávamos na Praça da República, entre patinhos, e, mais tarde, visitávamos a feira de pedras e artesanato brasileiro. Com minha outra avó, o ritual tinha outro sabor: tardes de chá elegante no salão do Mappin.
Na adolescência, vieram os estudos na Aliança Francesa da General Jardim, os jantares no La Casserole e no Le Soufflé, as sessões de cinema à tarde e, à noite, as discotecas mais animadas da cidade.
Esse encanto permanece vivo. Até hoje, reservo um dia da semana para explorar suas ruas – sempre há um novo restaurante, um café acolhedor, uma galeria vibrante ou uma livraria surpreendente a descobrir.
Atualmente, o Centro respira um movimento de renovação. O retrofit devolve vida a prédios icônicos, enquanto artistas, arquitetos, designers e tantos outros profissionais redescobrem sua potência. Cultura e gastronomia florescem lado a lado, em espaços generosos, históricos e, ao mesmo tempo, cheios de futuro.
Há um esforço coletivo em andamento para torná-lo cada vez mais seguro e acolhedor. E é nesse equilíbrio – entre tradição e reinvenção – que o Centro se reafirma como coração histórico e, ao mesmo tempo, polo cultural e criativo de São Paulo.
Esta edição é um convite: redescobrir o Centro, celebrar seus tesouros e sentir a energia diversa que vibra em suas ruas.
Helena Montanarini
Publisher
@hmontanarini