
Editorial aQuadra ed #20
Iniciamos 2021 otimistas!
Será um ano de recomeços, com muita esperança no que está por vir. Não devemos esquecer aquele que passou, pois ele foi muito importante para nós.
Tic toc, tic toc, tic toc.
Há muito tempo não escuto a batida do relógio… afinal, substituí o antigo ponteiro por meu inseparável celular. Ele me avisa diariamente se é dia ou noite.
Hackeada por um aplicativo de alta eficiência, verifico minha frequência cardíaca, pressão, glicemia, buscando sentido e direção.
Sentada diante da tela de meu computador, sinto-me potente por monitorar a vida. Novos sensores, equipamentos e aplicativos dizendo quem sou eu, o que faço, como vivo e se estou viva ou morta.
Posso saber minha temperatura, o que comer, beber, além da hora certa para dormir e acordar.
Pi Pi Pi INSPIRE EM 4, EXPIRE EM 8: aí vem meu gentil app de autocuidado, avisando que é preciso dar uma pausa e respirar.
UFAHHHH!
Questiono-me se este app contemplativo não está me atrapalhando. Deve estar mal programado ou quem sabe baixei o programa errado. Como ter 6 pausas durante o dia se mal consigo responder as mensagens… Saio da pausa e descarto o aplicativo ZEN e imediatamente procuro um para melhorar a performance.
Chego em casa exausta, subo 5 vezes a escada de 20 degraus obedecendo o comando do meu celular, que insiste em não me deixar descansar.
Vou deitar com duas horas de atraso e perco o sono pensando em como o corpo acertava as horas sem relógios e marca-passos. De que forma sincronizava o compasso das células e os diferentes ritmos do corpo ao do universo?
Caio no sono após tomar melatonina e valeriana e sonho que posso controlar todas as glândulas e regular os hormônios. Lá estou eu com meu pianinho tocando genes e acordando as células no ritmo da natureza. As glândulas do dia acordando ao som de rock e as noturnas com música clássica. Os órgãos colaborando entre si para que cada etapa da fisiologia aconteça como uma engrenagem mágica: cada célula com seu acorde produzindo enzimas, proteínas, neurotransmissores e vibrando ao som do grande maestro, a glândula pineal. Um sonho lindo como a beleza que encontramos na sabedoria do universo que há anos nos permite acordar com a luz do sol e dormir com as estrelas.
Acordo encharcada, será a menopausa precoce? Abro o celular e procuro pelo aplicativo de ciclo menstrual e logo me lembro que tenho 60 anos e já não tenho mais ciclos, estou em pausa. Durmo novamente e acordo tentando entender como chegamos até aqui sem Waze e Google Maps.

Iniciamos 2021 otimistas!
Será um ano de recomeços, com muita esperança no que está por vir. Não devemos esquecer aquele que passou, pois ele foi muito importante para nós.

Ideais para a prática de atividade física ao ar livre, os parques são perfeitos também para uma paradinha vez ou outra, a fim de sossegar a mente, mudar a paisagem, relaxar

Paulo Mendes da Rocha, que morreu recentemente, foi um dos maiores arquitetos da nossa história – ele e Oscar Niemeyer foram os únicos brasileiros a ganhar o prêmio Pritzker, conheci- do como o Nobel da Arquitetura.
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