
A sabedoria de rir de si mesma, uma entrevista com Marisa Orth
A atriz Marisa Orth acredita que o humor é instrumento divino e, ao rir de nós mesmos, ficamos mais inteligentes
Stephanie Ribeiro abre as portas de seu apartamento em Higienópolis como quem convida para uma conversa longa – daquelas cheias de histórias, afeto e cheiro de planta fresca. O imóvel, localizado em um dos bairros mais emblemáticos da arquitetura moderna paulistana, é reflexo direto de quem ela é – e de tudo o que carrega na bagagem desde que deixou Araraquara, no interior de São Paulo.
Arquiteta, influenciadora e ativista, Stephanie saiu de casa aos 18 anos para cursar Arquitetura e Urbanismo na PUC-Campinas. Depois da graduação, São Paulo virou endereço fixo – e palco para uma carreira que se multiplicou em várias frentes. Em 2018, foi eleita uma das afrodescendentes mais influentes do mundo; em 2020, entrou para a lista Forbes Under 30 e, no mesmo ano, assumiu a apresentação do programa Decora, no canal GNT.
A paleta, que passeia por verde e vermelho árido, amarra os ambientes com leveza. No escritório solar, leitura e trabalho
ESSE APARTAMENTO É UMA GRANDE EXPERIÊNCIA ESTÉTICA PARA MIM. TEM MUITAS CORES, MUITA ARTE, MUITA HISTÓRIA, MUITOS OBJETOS, MUITA TEXTURA.”
Stephanie Ribeiro
“Tenho um lado caipira até hoje”, conta. A memória da casa confortável da infância, com quintal generoso, plantas e a avó colhendo acerolas, atravessa o tempo e reaparece no apartamento atual, ainda que em versão urbana. Vasos de plantas se espalham por todos os ambientes.
O apartamento já era conhecido antes mesmo de virar casa: durante os passeios com Basquiat, seu chow chow, Stephanie passava em frente e “namorava” o imóvel. “Esse prédio sempre chamou minha atenção, sou apaixonada pelos dois pilares circulares”. Não deu outra: morou no último andar até se divorciar, e depois encontrou outro apartamento para permanecer no prédio: “Era de uma mulher que morou sozinha aqui a vida toda, uma pessoa leve e feliz que deixou uma coleção de vinil”.
Com o tempo, vieram as mudanças – feitas aos poucos, respeitando a história do espaço e imprimindo, camada por camada, a identidade da nova moradora: “Esse apartamento é uma grande experiência estética para mim. Tem muitas cores, muita arte, muita história, muitos objetos, muita textura. Eu estava em uma fase difícil, de divórcio, e queria provar para mim mesma que conseguiria fazer algo acolhedor, algo que me abraçasse”.
A paleta do apartamento, que passeia por verde e vermelho árido, amarra todos os ambientes com leveza. Na ampla sala, prevalece o verde – nas paredes, no sofá e nas plantas. A brasilidade aparece na rede, instalada entre os dois pilares, sobre muitas almofadas e de frente para o janelão que atravessa o espaço. Destaque para os objetos afetivos espalhados pelas mesinhas: fotos, esculturas presenteadas pela mãe, cestarias, cerâmicas, peças de madeira. Chamam a atenção as partituras do bisavô músico, emolduradas – uma forma sutil de manter viva essa memória. No quarto, o vermelho árido dá o tom em uma cabeceira que se estende além da cama e no tapete quadriculado, e o verde marca presença nos detalhes. Palmeiras pintadas na parede em preto e branco embalam os sonhos.
A grande estrela da casa é o escritório, solar, que abriga sua rica biblioteca. Com iluminação natural proveniente das grandes janelas, é o lugar onde ela trabalha, lê, se inspira. “Tenho esses espaços de respiro, de descanso, de atenção. É um apartamento com muita história, tanto da que já existia antes quanto da que eu queria construir aqui.”
Mais que um projeto estético, o lar de Stephanie Ribeiro é um manifesto íntimo sobre pertencimento, memória e identidade. Um espaço onde plantas crescem, histórias se acumulam e a arquitetura deixa de ser apenas cenário para virar extensão da própria vida.

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