Grandioso e possuidor de uma herança ainda hoje avassaladora, um dos outrora mais importantes centros culturais no Oriente Médio, o Iêmen mergulhou numa guerra civil em 2014. Desde então, caiu numa aura de mistério e preconceito, mas a situação está longe de ser o que era. Hoje, o conflito dissolveu-se, estando apenas circunscrito às regiões periféricas do oeste e do norte, e o país voltou a atrair quem procura aventura e deslumbramento.
Provavelmente um dos países mais bonitos do planeta, dominado pela arquitetura em barro das suas cidades – com destaque absoluto para Shibam, conhecida como “Manhattan do Deserto”, onde a maioria dos edifícios data do século 16 –, pela hospitalidade da sua gente e pelas paisagens de grande impacto. Hoje, a viagem é possível e segura na região de Hadhramaut, que concentra a maioria dos pontos mais icônicos do país. A arquitetura autóctone atravessaséculos de existência e persiste como o estilo mais visível, mesmo em edificações modernas.
A ocupação britânica trouxe opulência aos múltiplos palácios de comerciantes que ficaram para trás, majoritariamente em Tarim, e os desfiladeiros verticais envolvem as povoações, das maiores às menores, onde agricultoras e pastoras desfilam seus chapéus de palha pontiagudos e os vendedores nos mercados tomam-nos pelas mãos e nos levam a provar iguarias, transpondo toda e qualquer barreira de comunicação.
A verdadeira riqueza de uma viagem como essa está nas pessoas, no quão longe irão para nos fazer sentir em casa, especialmente nas pequenas vilas de Wadi Doan. É um sentimento de choque cultural positivo, em vias de extinção. É com muito orgulho que todos os visitantes são levados a partilhar refeições, vestir trajes sociais, visitar pequenas vilas e artesãos. O desconhecido rapidamente transforma-se em familiar, os segredos da terra vão sendo revelados.
A logística, porém, é um trabalho complexo. É necessário
ter contatos locais para assegurar a burocracia, a segurança, o alojamento. A internet deixou o planejamento de qualquer viagem mais fácil, mas, neste caso em particular, é preciso montar um quebra-cabeças avançado. Não existe forma de marcar os voos em nenhum site de busca, nem reservar estadias em hotéis.