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Urbanismo de circunstância

Em um tempo não muito distante, a arquitetura costumava ser considerada a mãe de todas as artes, pois sem ela jamais teríamos condições de abrigar a pintura, a escultura, a música e a dança.

por Felipe SS Rodrigues | ilustração Luísa Amoroso

Pois bem, há algumas décadas questionamos se a arquitetura era realmente arte, e hoje ela parece ser tão sólida quanto as letras de uma canção. O que não mudou ainda é o desejo e a expectativa das pessoas de que ela perdure.

Por secretamente acreditarmos na nossa própria existência ilimitada, estendemos para o nosso entorno essa noção de estabilidade, mas a cidade tem sua própria ampulheta. A demolição de uma simples livraria – não tão simples, a premiada Livraria da Vila nos Jardins, do arquiteto Isay Weinfeld – pautou protestos de uma turma antiverticalização, do bairro vizinho, Pinheiros.

Nem o empreendimento que substituiu a livraria, nem a nova livraria na mesma rua possuem o empenho intelectual da construção anterior. Há uma década, os moradores da Vila Madalena protestavam contra prédios baixos – e bem desenhados – da Idea Zarvos entre as casas do bairro; pouco depois o plano diretor virou o disco e surgiram prédios sem estética e com andares demais para se contar. Na esfera pública, as leis são feitas, desfeitas e refeitas.

Ao final, é como se tudo tivesse a chance de existir num frame temporal. É preciso olhar com a devida distância a linha do tempo das coisas construídas – com uma lente espartana e outra condescendente – para se ter certeza que o mais sábio a se fazer é aproveitar o que existe de melhor diante de nós no presente.

Felipe SS Rodrigues – Arquiteto

https://www.felipessrodrigues.com/
@elipessr

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