PUBLICIDADE

A CASA DOS MACACOS

A coleção de primatas do arquiteto e ambientalista José Pedro de Oliveira Costa revela sua trajetória

Fotos Jade Gadotti

José Pedro de Oliveira Costa - Arquitetura - Jornal aQuadra
José Pedro

Quem entra no amplo apartamento do arquiteto e ambientalista José Pedro de Oliveira Costa, em Higienópolis, logo percebe que não se trata de uma residência comum. Entre quadros, esculturas, vitrines com cristais e porcelanas e estantes repletas de livros, o olhar é capturado por uma centena de macacos – de cerâmica, madeira, vidro, brinquedo ou desenho – reunidos ao longo de décadas em uma coleção tão curiosa quanto simbólica.

A paixão começou quase por acaso. Nos anos 1990, Zé Pedro comprou na Bahia duas esculturas de macacos que chamaram a sua atenção. Depois, vieram outras, adquiridas em viagens ou presenteadas por amigos. “De repente, entrei nessa roda dos macacos”, conta.

Hoje, eles ocupam boa parte da casa – e também do imaginário do anfitrião. Há peças ligadas a diferentes culturas e religiões, como o deus egípcio Thoth ou o Hanuman, figura central da tradição hindu. Há também macacos desenhados por ele próprio em tela, papel e cerâmica.

Por trás da coleção, reside uma trajetória fundamental no ambientalismo brasileiro. Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Mackenzie, Zé Pedro é mestre em Planejamento Ambiental pela Universidade da Califórnia e doutor em Estruturas Ambientais pela Universidade de São Paulo (USP), onde lecionou por mais de 40 anos; hoje, é pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA-USP).

Sua atuação marcou a política ambiental no país: foi o primeiro secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo e, por duas vezes, secretário nacional de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, tendo participado da criação de importantes áreas protegidas no Brasil.

Os macacos da casa refletem, de certa forma, essa relação com a natureza. O Brasil abriga a maior diversidade de primatas do mundo – cerca de 155 espécies –, muitas delas ameaçadas de extinção. A preocupação com esse cenário levou o ambientalista a engajar-se em iniciativas de proteção, como a Operação Primatas, voltada para espécies em risco crítico. “O trabalho inclui pressionar autoridades e apoiar a criação de áreas protegidas. Um dos exemplos foi a luta pela criação de uma estação ecológica direcionada à proteção do sauim-de-coleira, espécie ameaçada na região de Manaus.”

Atualmente, ele divide seu tempo entre consultorias, pesquisas e novos projetos: prepara uma exposição dedicada aos macacos, que reunirá peças da coleção, desenhos e referências históricas. Enquanto isso, o acervo continua crescendo. “O problema é ter espaço”, brinca. “Mas sempre cabe mais um macaco.”

No fim, a casa funciona como um retrato do dono: um lugar onde arquitetura, arte e natureza convivem – e onde a curiosidade parece sempre encontrar novos caminhos.

zepedro.com.br

compartilhe

compartilhe

PUBLICIDADE

Você pode gostar

Editorial #50 Jornal aQuadra

Editorial #50

por Helena Montanarini Quando finalizamos cada edição e a enviamos para a gráfica, sempre surgem perguntas: como ficou? Será que os leitores vão gostar? Quando

continuar lendo...

“Bom-dia, vizinho”

E achei genial ser impresso, porque dá para pegar e exibir que você está lendo aQuadra na praça. Essa visibilidade pública cria identificação, aproxima as pessoas e, mesmo que você não vá puxar conversa

continuar lendo...

Assine nossa newsletter!

Receba avisos sobre novos artigos e novas edições do jornal.